Zine: Bs.As. Desördem (Nº 9)
Ano: 1997 Conteúdo:
Fanzine anarcopunk produzido na Argentina que aborda contrainformación, críticas ao sistema neoliberal, militarismo, religião, entrevistas, banda desenhada política... Secção de Comentários de Fanzines, Resenhas de Cassetes e Lançamentos Musicais...
Matérias:
Scene Report na Costa Rica.
Um relatório enviado por Cindy Vargas sobre a cena punk, o panorama musical (com bandas como Garbanzos, Carta Magna, El Parque e Café con Leche) e o contexto sociopolítico.
Um artigo focado na prevenção e combate ao assalto sexual nas prisões, em colaboração com a organização Stop Prisoner Rape, Inc..
Uma entrevista aprofundada com membros da banda Funeral Funny de Córdoba, abordando anarquia, o "Córdobazo", legalização de drogas e a ética do punk rock.
Um panorama histórico e detalhado da cena hardcore/punk de Berazategui (Zona Sul de Buenos Aires) desde o início dos anos 90, listando bandas locais como Hasta las Manos, Gatillo Fácil, Humo Líkido, Víctimas, Fuerza y Decisión, Sentidos Perdidos, entre outras.
O relato crítico na primeira pessoa sobre os incidentes e confrontos em torno do concerto dos NOFX no Parque Sarmiento.
Kaazaa de Curitiba (Brasil): Com a visita de dois punks de Curitiba em Buenos Aires rolou uma matéria com eles. A edição traz um destaque sobre a Kaazaa Ocupada, um squat e espaço contracultural localizado em Curitiba. O texto detalha o dia a dia da comunidade alternativa, a divisão de tarefas (limpeza, cozinha, produção de cartazes, autocolantes e serigrafia para financiamento), os desafios de reabilitação devido ao desgaste da estrutura antiga, a convivência com visitantes internacionais e a resistência do coletivo face à massificação cultural.
Tradução da matéria sobre a Kaazaa
Como uma comunidade alternativa cada pessoa acorda à hora que quer e assim começam as tarefas como limpar, varrer, cozinhar, organizar, depois quase todos vamos para o centro da cidade, porque o squatt fica num subúrbio. Encontramos com outros punks numa rua onde costumamos parar, um ponto de encontro punk pode-se chamar, e ali divulgamos material para quem se interessa em conhecer a nossa cultura.
Nós realizamos algumas atividades no squatt como pinturas (desde letreiros a quadros), tatuagens, serigrafia, confecionamos t-shirts, autocolantes com mensagens políticas, com os quais financiamos as despesas do squatt . Há alguns punks que têm distribuidoras D.I.Y. (Faça-Você-Mesmo) . Às vezes realizamos concertos também, neste momento parámos de organizar concertos porque estamos a reformar a kaazaa porque é muito velha e esteve abandonada por muito tempo, tem o teto quase todo destruído, há grandes infiltrações de água pelas paredes e o chão de madeira está podre. Antes que tudo desabe temos de fazer as reformas porque é a nossa kaazaa, o nosso espaço, onde vivemos, a nossa cultura, recebemos os/as nossos amigos, por isso tentamos preservá-la, valorizamo-la muito .
Nós realizamos algumas atividades no squatt como pinturas (desde letreiros a quadros), tatuagens, serigrafia, confecionamos t-shirts, autocolantes com mensagens políticas, com os quais financiamos as despesas do squatt . Há alguns punks que têm distribuidoras D.I.Y. (Faça-Você-Mesmo) . Às vezes realizamos concertos também, neste momento parámos de organizar concertos porque estamos a reformar a kaazaa porque é muito velha e esteve abandonada por muito tempo, tem o teto quase todo destruído, há grandes infiltrações de água pelas paredes e o chão de madeira está podre. Antes que tudo desabe temos de fazer as reformas porque é a nossa kaazaa, o nosso espaço, onde vivemos, a nossa cultura, recebemos os/as nossos amigos, por isso tentamos preservá-la, valorizamo-la muito .
É um pouco difícil afirmar quantas pessoas vivem no squatt, estamos sempre a receber visitas de punks de todos os lugares do mundo, já chegámos a conviver com muitas pessoas, embora todas se tenham ido embora . Agora estamos a resistir 8 pessoas. Não há muitos squatts contraculturais no Brasil, pelo menos que eu conheça, o squatt kaazaa é o único, mas há muitas ocupações por parte do movimento Sem Terra (M.S.T.) formado por camponeses e pessoas sem-teto.
O mov. punk está por todo o lado do mundo que conhecemos . É uma pena que para algumas pessoas não tenha passado de uma moda, de uma forma de ganhar dinheiro. Para mim o punk vive e é um dos únicos movimentos de contracultura viva que permanece alternativo e resistente contra a massificação cultural e ativo na luta de classes. Só quero dizer que não importa se tens um Jaco com rebites ou um moicano ou se tens estética punk, o que importa é a tua cabeça, aguentem punks!


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Stay Rebel, Stay Punk!