No fim de 1998, os nossos amigos do Squat Payoll, em Curitiba, publicaram um pedido de apoio para arrecadar fundos destinados à pintura da fachada. A campanha, que pedia contribuições de R$ 1,00 enviadas por carta em troca de um adesivo como agradecimento, pode ser vista como uma forma de financiamento coletivo muito antes da popularização do termo crowdfunding, como agora ocorre tão frequentemente nos tempos de Internet.
Eu lembro de algumas cartas de apoio chegando na nossa caixa postal, que era a mesma utilizada pelo zine Os Impregnantes e pelos Punks do Fazendinha... Se você recebeu um desses adesivos pode saber que sua contribuição ajudou uma genuína e importante comunidade punk.
O texto foi escrito em resposta ao pesado clima de pressão vivido pelos ocupantes. Mostra uma reportagem publicada no jornal O Estado do Paraná, em 6 de novembro de 1998, que relacionava imóveis ocupados à criminalidade e mencionava o Squat Payoll dentro desse único contexto. Essa abordagem colocava diferentes realidades no mesmo patamar e reforçava uma narrativa genérica que justificava ações de despejo e repressão.
A imagem divulgada pela grande imprensa colocava a ideia de que um "mocó" invadido por junkies era a mesma coisa que um espaço organizado.
Não lembro se ao menos chegaram a pintar o squat, pois pouco tempo depois o Payoll foi desalojado.
Problema de moradia resolvido? Não.
Já o vereador, autor do projeto... Esse segue até hoje mamando na teta do Estado.
Imagem enviada pelo companheiro @antonioantifaexu
Obrigado por ter guardado por todo esse tempo e compartilhado conosco.

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