Esta dissertação tem como tema o movimento punk, com foco em um grupo específico. A partir de uma perspectiva etnográfica, busca compreender de que maneira os punks de rua de Curitiba constroem suas formas de existência e sociabilidade no espaço urbano e o que essas práticas podem revelar a respeito também da própria cidade. Partindo da observação dos deslocamentos e modos de nela estar, o trabalho aborda, inicialmente, o percurso histórico do punk na urbe e as mudanças que conduziram à formação dos punks de rua. Compreendendo conflito não apenas como oposição, mas como forma de coesão e produção de sociabilidade, os capítulos seguintes se organizam em diferentes níveis de conflito que se articulam e atravessam as relações do grupo – tanto com o sistema capitalista e grupos que o personificam, quanto entre eles próprios. Ao tratar dos conflitos contra o sistema, explora práticas como o faça você mesmo, as ocupas e o mangueio, situando os punks de rua em relação aos demais punks. Em seguida, examina os confrontos com grupos adversários, como os skinheads, analisando-os à luz de noções como margem, Estado e fazer-cidade. Por fim, discute os conflitos internos, evidenciando disputas de legitimidade, diferenças de estilo e tensões de gênero que permeiam o grupo. Os resultados evidenciam que, entre os punks de rua, ideias e ações se entrelaçam em práticas que desafiam normas e estigmas, revelando uma recusa em se adequar às formas hegemônicas de sociabilidade e produção. Mais do que buscar inclusão ou reconhecimento institucional, esse grupo constrói espaços próprios de permanência na urbe ao longo dos anos, nos quais o reconhecimento que importa é o que se dá entre pares, dentro do próprio punk. Assim, mesmo atravessados por contradições e por tensões de gênero, os punks de rua afirmam, em suas práticas cotidianas, um modo de existência que reivindica a vida nas margens como espaço legítimo de criação e reinvenção permanente da própria cidade.

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